sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Vagas de emprego não são preenchidas por falta de habilidades dos candidatos

No Brasil, existem 12,7 milhões desempregados, e 4,8 milhões de pessoas que perderam as esperanças e desistiram de procurar emprego, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Emprego

Em paralelo a esse cenário, existem muitas vagas de emprego que não conseguem ser preenchidas por falta de profissionais completos, o chamado skill gap. Cada vez mais, o mercado exige competências e habilidades dos trabalhadores, para as quais não existe formação.
Para a professora do MBA em Gestão de Pessoas do Centro Universitário Celso Lisboa, Vanessa Lacerda, a evolução de exigências teve início depois da Revolução Industrial, quando surgiu o movimento de substituição de mão de obra tradicional por máquinas. Entretanto, o aumento mais notório foi após a 4ª Revolução Industrial, com o boom das tecnologias:
— Hoje, o profissional não se relaciona só com seus colegas e gestores, mas também com a tecnologia. Nesse novo mundo tecnológico, com realidade virtual, neurociência, robótica e inteligência artificial, ele precisa ter destreza e saber gerenciar seu tempo.
As alternativas para adquirir as competências requeridas são frequentar cursos livres e de menor duração; estudar informações disponíveis na internet; participar de treinamentos internos nas próprias empresas para profissionais já contratados; ou, ainda, recorrer ao coaching, contando com a ajuda de pessoas já qualificadas.
— Para evitar o skill gap, é preciso ter interesse em ser inserido nessa nova economia digital. Para quem quer continuar dentro de modelos já ultrapassados, o risco do desemprego é grande — avaliou a professora.
Muitas empresas já realizam processos seletivos focados não somente no currículo, mas também na inteligência emocional dos candidatos e em outras habilidades necessárias na futura rotina. As que ainda não se adequaram a esse novo jeito de seleção, segundo Vanessa, só percebem a deficiência dos funcionários quando eles já estão inseridos, o que pode gerar problemas.
Reciclagem no processo seletivo
Organizações ligadas à inovação e tecnologia, em geral, já realizam seleções focadas em habilidades comportamentais e tecnológicas. De acordo com a professora do MBA em Gestão de Pessoas do Centro Universitário Celso Lisboa, Vanessa Lacerda, alguns exemplos são Google e Amazon.
No Brasil, algumas empresas que já estão consagradas também aderiram ao novo método, a exemplo da Cielo. Segundo a coordenadora de Atração, Employer Branding e Seleção da Cielo, Fabiana Falcão, durante a escolha de novos trainees e estagiários, o gestor realiza entrevistas finais, sem ter acesso aos currículos.
— A gente vive um contexto de plena evolução digital. Atitude e comportamento na dinâmica de grupo pesam mais do que experiências e que faculdade cursou — explicou.
Em decisão recente, a Cielo aboliu a exigência de nível superior completo na área comercial, a fim de ampliar as possibilidades de encontrar pessoas abertas, dispostas e com capacidade de aprender rápido. Protagonismo, liderança, trabalho em equipe e inovação são outras habilidades valorizadas.
Mercado, profissionais e universidades formam ciclo vicioso sem mudanças
O mercado é formado por um tripé: nova demanda das empresas, necessidade do profissional se qualificar, sem saber como, e universidades cujos cursos visam apenas formação teórica. Constrói-se, então, um ciclo vicioso no qual a culpa dessa lacuna de habilidades é sempre transferida.
O Centro Universitário Celso Lisboa mudou sua matriz curricular com base em competências e não mais em disciplinas. No curso de administração, por exemplo, o primeiro semestre trabalha o pensamento gerencial com conteúdos como: marketing estratégico e comportamento do consumidor, e economia aplicada à gestão.
A estrutura da sala de aula também é diferente. Para desenvolverem a comunicação e o espírito de equipe, os alunos sentam em grupo. Profissionais já graduados que queiram desenvolver habilidades comportamentais valorizadas no mercado devem investir em trabalhos voluntários:
— O profissional poderá aprender resolução de conflitos em discussões sociais, saber escutar e trabalhar em grupo — aconselhou Vanessa Lacerda.
Em um futuro próximo, segundo a professora de inteligência artificial da Fundação Instituto de Administração de São Paulo (FIA/SP - LabData), Alessandra Montini, robôs ficarão a cargo das tarefas operacionais, e humanos com a parte da criatividade e inovação, já que a inteligência artificial está presente em diversas áreas: no trânsito, quando um motorista recebe alertas se sonolência; no Jornalismo, no combate às fake news; na Medicina, com pulseiras que monitoram batimentos cardíacos e avisam o médico quando o paciente passa mal.
— O Big Data, conjunto de metodologias para capturar informação, armazená-la e gerar modelos para tomada de decisão pela inteligência artificial, já é parte do nosso cotidiano — explicou Alessandra.
Existem vários cursos sobre o tema, presenciais e online. A própria professora tem videoaulas gratuitas na plataforma internacional Coursera.
 Letycia Cardoso 
Fonte: EXTRA
Portal Contabeis

Profissão contábil continua atraente para a Geração Z

A geração Z (Gen Z) está preocupada com a economia e as suas perspectivas de emprego.

Contabilidade

É o que revela a pesquisa Make way for Gen Z, publicada no dia 25 de setembro pela Federação Internacional de Contadores, International Federation of Accountants (Ifac), sigla em inglês. Foram ouvidas mais de 3.300 pessoas, com idades entre 18 e 23 anos, em 19 países do G-20, incluindo o Brasil.

De acordo com o estudo, entender as prioridades da Geração Z será crucial para os formuladores de políticas e para os empregadores, já que os debates sobre políticas públicas enfrentam cada vez mais as compensações entre gerações na riqueza e como ela é definida como a maior geração do mundo.


A pesquisa pode servir para balizar o trabalho das empresas de contabilidade, auditoria e até mesmo os departamentos tributário e fiscal das organizações na hora de captar profissionais de qualidade, formar e reter esses talentos. Estas são três grandes dificuldades apontadas pelos gestores.


O resultado foi apresentado durante a abertura do XI Encontro Nacional dos Coordenadores e Professores dos Cursos de Ciências Contábeis (ENCPCCC), realizado no dia 29 de setembro, em São Paulo, pelo presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Zulmir Ivânio Breda.


Durante o evento, Breda afirmou que "é motivo de orgulho saber que os jovens, especialmente dos países do G-20, veem a carreira contábil como uma carreira promissora, de projeção e que vai conceder a eles as expectativas de vida de acordo com os percentuais apresentados pela pesquisa". Para o presidente do CFC, a busca de um equilíbrio entre carreira e vida pessoal, em um mundo onde o uso da tecnologia é alto, é algo paradoxal.


As principais prioridades de carreira da Geração Z incluem: uma trajetória de carreira estável (89% avaliaram como importante ou muito importante), salário e benefícios competitivos (87%) e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (84%).


Os fatores menos importantes na hora de optar por uma carreira são as oportunidades para trabalhar no exterior (63%), de ser uma liderança nos negócios (64%) e tomar decisões estratégicas nos negócios (63%). Entretanto, Estados Unidos e Índia são exceções. A Geração Z nestes países colocam a capacidade de ter um impacto significativo através do seu trabalho acima do salário e dos benefícios na escolha de uma carreira.


Além disso, 73% dos entrevistados da Geração Z considerariam uma carreira na profissão contábil e mais de um quinto (21%) já decidiram seguir uma carreira em contabilidade. Dados recentes do Ministério da Educação mostram que a procura por cursos de Ciências Contábeis aumentou nos últimos anos, colocando-a entre as carreiras mais procuradas pelos jovens no Brasil.


Pode-se dizer que esse aumento na procura pela carreira contábil se deve, conforme Breda, "com base em pesquisas já realizadas, que o reconhecimento da importância da profissão pelo mercado e a respectiva ampliação de vagas para o profissional da contabilidade, certamente, estão entre essas razões".


Segundo ele, é notória a busca de profissionais para atuação em áreas estratégicas da gestão. "Muitas empresas de médio e grande porte já inseriram a área contábil em nível de direção, criando cargos, como o de diretor de contabilidade, dada a sua relevância estratégica. A possibilidade de se tornar um empresário na área contábil também deve estar no rol de motivos, pois o ensino acadêmico tem orientado os estudantes a se tornarem empreendedores na sua área de atuação, o que justifica o crescimento do número de organizações contábeis no País."


Além disso, diz o presidente do CFC, começa a crescer a percepção de que o curso de Ciências Contábeis é uma excelente opção de formação para quem quer se tornar empresário em qualquer área, em função da amplitude de conhecimentos que as disciplinas proporcionam para o enfrentamento dos desafios empresariais.


Para este estudo, a Geração Z é definida como os indivíduos nascidos entre meados da década de 1990 e meados da década de 2000. Conduzido pela Ifac, este estudo dá voz a 3.388 indivíduos entre 18 e 23 anos nos países do G-20. Isso representa uma amostra de 150 a 300 participantes de: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, o Reino Unido e os Estados Unidos.


O levantamento foi realizado pela Ifac, organização global para a profissão contábil dedicada a servir o interesse público, fortalecendo a profissão e contribuindo para o desenvolvimento de economias internacionais fortes. A Ifac é composta por mais de 175 membros e associados em mais de 130 países e jurisdições, representando quase 3 milhões de contadores em práticas públicas, educação, serviços governamentais, indústria e comércio.


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Pesquisados são politicamente envolvidos e economicamente conservadores


As principais prioridades das políticas públicas dessa geração são melhorar a estabilidade econômica, a educação de qualidade e a disponibilidade de empregos. No entanto, as visões sobre como alcançar os resultados desejados dependem da localização. A pesquisa constatou que 51% da Geração Z considera importante que seu governo priorize uma abordagem nacional à política econômica, enquanto 32% preferem um enfoque global.


Na França (52%) e na Alemanha (43%), a Geração Z apoia mais fortemente a colaboração política internacional, enquanto a preferência por uma abordagem nacional das políticas públicas é mais forte na China (65%), África do Sul (63%), Índia (60%) e Rússia (59%).


"As visões da Geração Z parecem refletir a tensão entre o protecionismo nacional e a cooperação política global que se desenrolam nos debates geopolíticos e econômicos contemporâneos", disse Russell Guthrie, diretor executivo da Ifac. "A ênfase na estabilidade econômica diz muito sobre o que o futuro trará, já que essa geração já está exercendo sua voz ativa e apaixonada no cenário global", sustentou Guthrie.


Além do conflito entre o protecionismo nacional e a globalização, outras preocupações incluem assistência médica, especialmente no Canadá, França, Alemanha e Estados Unidos, e combate à corrupção sistemática, que foi classificada como prioridade máxima pelos entrevistados na Argentina, Brasil, Índia e Indonésia.


Estabilidade no emprego e profissões reconhecidas estão entre as principais vantagens apontadas 


O desejo de estabilidade no emprego também é evidente nas expectativas da Geração Z. Eles antecipam que a digitalização e a tecnologia emergentes são uma faca de dois gumes, trazendo novas formas de trabalho, mas também o declínio dos empregos tradicionais como resultado.


Contrastando com as perspectivas de "viva o sonho a todo custo", comumente atribuídas à geração anterior, as principais prioridades da Geração Z na escolha de uma carreira incluem uma carreira estável (89% importante ou muito importante), salário competitivo e benefícios (87%) e equilíbrio trabalho-vida pessoal. (84%).


A percepção da Geração Z para a profissão contábil é altamente alinhada com suas duas principais prioridades na escolha de uma carreira. Um total de 87% da Geração Z vê a contabilidade profissional como atraente ou muito atraente ao oferecer uma trajetória de carreira estável, enquanto 86% considera que a profissão satisfaz ou supera suas expectativas salariais e de benefícios.


O presidente do CFC, Zulmir Breda, lembra que, segundo pesquisas de organizações respeitadas que operam no mercado, a profissão contábil é uma das que possui maior índice de empregabilidade no País e no mundo. Atualmente, o profissional da contabilidade não apenas produz dados, mas os analisa e auxilia nas decisões dos negócios.


Principalmente em razão dos problemas que foram detectados recentemente com os escândalos de fraude e corrupção que envolveram empresas e órgãos públicos, cresce a procura de profissionais para atuar em áreas como a gestão de riscos e de conformidade. "As áreas de controle estão sendo fortalecidas a fim de que sejam evitados esses problemas, os quais podem destruir organizações do dia para a noite", analisa.


Segundo o levantamento, um total de 73% dos entrevistados considerariam uma carreira contábil e 21% afirmaram que já decidiram seguir carreira na profissão. "A Geração Z traz uma grande riqueza de novos e incomparáveis talentos para a força de trabalho global. Esta pesquisa identifica por que a profissão contábil está bem posicionada para atrair e reter talentos da próxima geração, particularmente à medida que o papel do contador se torna cada vez mais estratégico", disse Fayezul Choudhury, CEO da Ifac.


Ainda segundo Choudhury, "os empregadores de todas as indústrias seriam bem adequados para entender às perspectivas da Geração Z à medida que eles vêm para moldar o futuro do local de trabalho".

Fonte: Jornal do Comércio
Portal contábeis.

TRT mantém justa causa de trabalhador que chamou colegas de "maria-gasolina"



Publicar ofensas a colegas de trabalho nas redes sociais configura ato lesivo à honra, sendo motivo suficiente para despedida por justa causa.

Justa causa

Publicar ofensas a colegas de trabalho nas redes sociais configura ato lesivo à honra, sendo motivo suficiente para despedida por justa causa. Com esse fundamento, a 1ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) manteve sentença de primeira instância e negou provimento ao recurso de um homem que pretendia reverter a dispensa aplicada pela empresa.
O caso começou quando o trabalhador de uma fábrica de plásticos foi demitido por justa causa por publicar em sua rede social comentários ofensivos a colegas de trabalho. O homem considerou sua dispensa ilegal e ingressou com ação pedindo a condenação da empresa ao pagamento de verbas rescisórias. Afirmou que a mensagem foi publicada de forma privada e que somente seus amigos tiveram acesso ao conteúdo. Alegou ainda que a dispensa ocorreu por outro motivo, pois era tratado com rigor excessivo pelo superior hierárquico.
Na defesa, a empresa negou o tratamento rigoroso e afirmou que tomou conhecimento dos comentários ofensivos postados pelo trabalhador porque alguns de seus funcionários estavam indignados — fornecedores e clientes, inclusive, haviam tomado ciência do ocorrido e pedido esclarecimentos. Segundo a empregadora, portanto, foi a atitude do próprio autor que gerou a rescisão contratual.
Maria-gasolina e maria-chuteira
Ao julgar o caso, a juíza Patricia Andrades Gameiro Hofstaetter, da 4ª Vara do Trabalho de Joinville, confirmou a licitude da justa causa aplicada pelo empregador. Assinalou que os documentos apresentados pela ré, a qual cabia o ônus da prova, comprovaram que o autor praticou nas redes sociais ato lesivo à honra ou à boa fama de empregadas da empresa.

“Embora o autor não tenha dito palavras de baixo calão, ele fez diversos comentários, chamando as empregadas [...] de 'maria gasolina' e 'maria chuteira'”, verificou a magistrada, salientando que o fato de as ofensas não terem sido feitas no local de trabalho não altera a situação, em razão da grande repercussão dos comentários.
Ao recorrer da sentença, o autor reforçou o entendimento de que o ato lesivo à honra é apenas aquele praticado no ambiente de trabalho e que os comentários ocorreram fora desse local. No entanto, o relator do processo, desembargador Wanderley Godoy Junior, manteve a decisão de primeiro grau com fundamento no artigo 482, alínea j, da CLT, dispositivo segundo o qual a justa causa pode ser aplicada nesses casos.
“Ficou demonstrado que, ainda que o reclamante tenha enviado as mensagens ofensivas a colegas de trabalho fora do período de sua jornada de trabalho, longe do local de trabalho, tais mensagens chegaram, repercutiram no ambiente de trabalho, o que caracteriza a prática de ato lesivo à honra e à boa fama de suas colegas de trabalho no serviço”, concluiu o relator. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRT-12.
Fonte: Conjur com informações do TRT 12

Portal Contábeis




Você deveria ganhar licença quando seu animal de estimação morre?



Maioria das empresas não hesitaria em dar folga a seus funcionários quando um membro de sua família morre. Mas a mesma regra se aplicaria a pets?

Licença

A maioria das empresas não hesitaria em dar folga a seus funcionários quando um membro de sua família morre. Mas a mesma regra se aplicaria a animais de estimação?
Quando o cachorro de cinco anos da britânica Katie Adkins, Golias, morreu inesperadamente, ela diz que foi "como perder um melhor amigo".
"Golias foi o primeiro cachorro que realmente chamei de meu. Ele passou por muita coisa comigo: amigos, colegas de quarto, mudanças. Por exemplo, estava comigo quando comprei minha primeira casa".
Então, quando a empresa onde trabalha lhe deu dois dias de folga para lamentar a morte de Golias, Adkins ficou incrivelmente grata. Sua chefe "foi muito simpática. Ela me disse para não me preocupar com nada relacionado ao trabalho e levar o tempo que precisasse para me recuperar".
A maioria dos chefes não é tão generosa — um pedido como o de Adkins pode causar surpresa em muitos ambientes de trabalho.
Mas, em meio à crescente popularidade dos animais de estimação, devemos ter direito a folgas quando nosso pet morre?
Segundo a GfK, a maior empresa de pesquisa de mercado da Alemanha, mais da metade das pessoas no mundo tinha pelo menos um tipo de animal de estimação, como cachorro, gato, peixe ou pássaro, em 2016.
"Nos últimos cinco a dez anos, houve uma proliferação de (animais de estimação), mudando a forma como nos relacionamos com eles", diz Dan Ryan, especialista em recrutamento da Sociedade Americana para Gestão de Recursos Humanos.
Ryan destaca procedimentos que se tornaram cada vez mais populares para animais de estimação, como quimioterapia, antidepressivos e cirurgias de substituição de articulações. O mercado pet é um negócio muito lucrativo — no ano passado, de acordo com a Euromonitor International, o setor faturou US$ 110 bilhões globalmente.
Essa popularidade se reflete no ambiente de trabalho, já que mais empresas oferecem vantagens como "Traga seu cachorro para o escritório".
Outras incorporaram isso em sua cultura diária: as sedes das gigantes do Vale do Silício, como Google e Amazon, estão repletas de cachorros.
Uma empresa de marketing na cidade americana de Minneapolis chegou a permitir que funcionários tirassem licença não remunerada para passar um tempo com seu novo animal de estimação.
Mas quando tivermos que nos despedir deles para sempre, contaremos com a empatia dos nossos patrões?
Adkins trabalha no estado americano do Tennessee como especialista em marcas digitais da Mars PetCare, a maior empresa de alimentos para animais de estimação dos Estados Unidos.
Embora pareça óbvio que uma empresa desse tipo conceda dias de folga a seus funcionários após a morte de seus pets, cada caso é avaliado individualmente.

Mas isso poderia mudar?

Será que a gente deve ter permissão para tirar uma folga pela morte de um animal de estimação?
"Minha reação imediata, do ponto de vista do RH, seria não", opina Susan Stehlik, diretora do programa de comunicação gerencial da Universidade de Nova York.
Mas, depois de pensar extensivamente sobre o assunto, Stehlik mudou de ideia. Ela diz acreditar que gestores precisam mostrar compaixão: "Você tem que entender que as pessoas demonstram afeto de forma diferente", diz ela. "No dia em que seu chefe não se mostra solidário a sua dor, você percebe que está um ambiente de trabalho hostil".
Recusar tais pedidos pode gerar um ambiente de trabalho improdutivo, acrescenta Cary Cooper, professor de psicologia organizacional da Universidade de Manchester, no Reino Unido. "Sem poder lamentar a morte do animal de estimação, o funcionário está presente fisicamente, mas não traz nenhum valor agregado para a empresa", diz.

Atestado de óbito?

O problema, segundo Ryan, é limitar possíveis abusos. "Como provar que as pessoas têm realmente um pet? Você vai receber um atestado de óbito do seu veterinário? É um desafio".
Cooper diz acreditar, no entanto, que poucas pessoas abusariam do benefício. Segundo ele, ninguém mais tem estabilidade no trabalho – "os empregos não são mais para a vida". Para o especialista, um comportamento abusivo poderia se tornar uma boa prerrogativa para o RH na hora de cortar custos.
"Há um contrato psicológico entre empregado e empregador" quando um benefício é concedido, diz Cooper. "Os funcionários têm que honrar sua parte do contrato, ou seja, entregar valor agregado".
E por que sofremos tanto por animais de estimação quanto por pessoas?
Instituir uma definição clara de um "animal de estimação" pode complicar as coisas, diz John Bradshaw, diretor de fundação do Instituto de Antropologia da Universidade de Bristol, no Reino Unido, que estuda a relação entre animais e humanos há muito tempo.
"Não acho que seja viável para os empregadores oferecer dias de folga pela perda de um animal de estimação", diz ele. "Não porque o luto do dono não seja genuíno, mas porque é difícil categorizar o que é um 'animal de estimação'".
Por exemplo, enquanto os proprietários podem considerar peixes e répteis como animais de estimação, a Associação Médica Veterinária Americana inclui apenas cães, gatos, pássaros de gaiola e cavalos como "animais de companhia".
"Assim, é difícil decidir quem deve ter direito a folga ou não", diz Bradshaw.
Ryan concorda e, segundo ele, são necessárias regras bem definidas.
Bradshaw também argumenta que existem "diferenças sutis entre o sofrimento sentido por animais de estimação e aquele sentido por membros da família".
Muitos donos de animais, por exemplo, conseguem aplacar sua dor ao ganhar um novo animal de estimação meses depois, enquanto o luto pela perda de um membro da família dura muitos anos mais.
Por outro lado, cada vez mais empresas decidem acomodar as novas necessidades de seus funcionários. Não é possível ignorar o assunto - dados revelam que 68% das famílias americanas têm um animal de estimação, por exemplo. No Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, há 132 milhões de animais de estimação no país, a quarta maior população do mundo.
"Os números estão aí", diz Stehlik. "As empresas precisam se adaptar a essa nova realidade."
Fonte: BBC

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